Pesquisa do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer acompanhou mais de 458 mil pessoas por cerca de 12 anos; em Ribeirão Preto, mais de 75% dos adultos avaliados pela rede municipal de saúde em 2025 apresentavam sobrepeso ou obesidade
O excesso de peso pode estar relacionado a uma parcela maior dos casos de câncer do que se estimava anteriormente. Essa é a conclusão de um novo estudo do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ), que analisou dados de mais de 458 mil pessoas acompanhadas por cerca de 12 anos. A pesquisa indica que a parcela de casos de câncer atribuível ao excesso de peso pode chegar a 11,5%, acima das estimativas anteriores, que variavam entre 2% e 8%.
Um dos diferenciais do estudo está no método adotado. Pesquisas anteriores baseavam-se principalmente no Índice de Massa Corporal (IMC), que considera peso e altura, mas não distingue gordura de massa muscular nem indica sua distribuição pelo corpo. Os pesquisadores avaliaram também a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril, medidas de adiposidade central que refletem melhor a distribuição da gordura corporal.
Para o oncologista Carlos Fruet, os resultados ampliam a compreensão sobre a relação entre excesso de peso e câncer. “A obesidade está ligada a processos inflamatórios e alterações metabólicas envolvidos no desenvolvimento de diferentes tipos de neoplasia. Já existem evidências de associação com tumores como os de mama, colorretal, endométrio, pâncreas, fígado, dentre outros. O que esta pesquisa acrescenta é a indicação de que podemos estar subestimando o impacto desse fator sobre a carga geral da doença”, afirma.
Em Ribeirão Preto, os dados reforçam a relevância do tema. Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), mais de 75% dos 95.211 adultos avaliados pela rede municipal de saúde em 2025 apresentavam sobrepeso ou obesidade. A obesidade atingia 43,62% desse grupo, índice acima da média nacional de 36,16% no mesmo período. Os números são baseados no IMC, enquanto a pesquisa alemã também considerou medidas relacionadas à distribuição da gordura corporal.
O excesso de peso integra um conjunto de fatores modificáveis associados ao risco de diferentes tipos de câncer, ao lado do sedentarismo, do consumo de álcool, do tabagismo e de padrões alimentares inadequados. O estado de São Paulo concentra a maior estimativa de novos casos da doença no país, com 193.740 diagnósticos previstos por ano no triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
“Não se trata de estabelecer uma relação direta entre o peso de uma população e a quantidade de casos de câncer, porque o desenvolvimento dos tumores é multifatorial. Porém, não podemos ignorar a importância da prevenção e do controle da obesidade entre as estratégias de redução do risco. Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico são medidas que contribuem tanto para o controle do peso quanto para a prevenção de diferentes doenças”, reforça Fruet.















